"Num período como o nosso, quando os conceitos se esvaziam de ser, existe uma tendência compreensível para marginalizar o pensamento conceptual. Mas não há experiência autêntica sem um conceito, nem há conceito vital sem experiência. O conceito dá forma à experiência; mas a experiência tem que estar presente para dar conteúdo e vitalidade ao conceito."(p.61)
MAY, Rollo. Poder e inocência; uma análise das fontes da violência. Rio de Janeiro; Editora Guanabara, 1981.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Georges Balandier (1920- )
"O homem deste fim de século está preso no casulo invisível formado por todas das redes que lhe transmitem, à distância, imagens e ruídos do mundo. Embora as aparências sejam contrárias, ele está encerrado; ele acredita ver muito e cada vez mais. Ele apreende, sobretudo os seres, as coisas e acontecimentos por um conjunto complexo de mediações; ele tem menos acesso à realidade do que a uma telerrealidade, a um universo construído pelas mídia, onde se chocam e se embaraçam as imagens concorrentes (...) É preciso encontrar novas terapias capazes de tirar os homens do efeito das fascinações e reensinar a eles a governar as imagens e a não suportar que elas sirvam à captura de sua liberdade." (p.77/78)
BALANDIER, Georges. Poder em cena. Brasília:Universidade de Brasília, 1982.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Gilles Deleuze (1925-1995)
"O filosófo pode residir em diversos Estados, habitar diferentes meios, mas à maneira de um eremita , de uma sombra, viadante, inquilino de apartamentos mobiliados (...) Porque, aonde quer que ele vá, só pede ou reivindica, com mais ou menos possibilidades de êxito, que o tolerem, ele próprio e seus fins insólitos, e julgará, por essa tolerância, o grau de democracia e de verdade que uma sociedade pode suportar, ou senão, ao contrário, o perigo que ameaça todos os homens." (p.10)
DELEUZE,Gilles. Espinosa: Filosofia prática. São Paulo: Editora Escuta, 2002.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Marc Bloch (1886-1944)
"Alguns, estimando que os fatos mais próximos a nós são, por isso mesmo, rebeldes a qualquer estudo verdadeiramente sereno, desejavam simplesmente poupar à casta Clio contatos demasiado ardentes. Assim pensava, imagino, meu velho professor. Isto é, certamente, atribuir- nos um fraco domínio dos nervos. É também esquecer que, a partir do momento em que entram em jogo as ressonâncias sentimentais, o limite entre o atual e o inatual está longe de se ajustar necessariamente pela média matemática de um intervalo de tempo(...) Na verdade, quem, uma vez diante de sua mesa de trabalho, não tiver a força de poupar seu cérebro do vírus do momento será bem capaz de destilar suas toxinas até num comentário sobre a Ilíada ou a Ramayana." (p. 61/62)
BLOCH, Marc. Apologia da história ou o ofício de historiador. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2002.
BLOCH, Marc. Apologia da história ou o ofício de historiador. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2002.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Pierre Bourdieu (1930-2002)
"(...) tomar verdadeiramente o partido da ciência é optar, asceticamente, por dedicar mais tempo e mais esforço a pôr em acção os conhecimentos teóricos adquiridos investindo-os em pesquisas novas, em vez de os acondicionar, de certo modo, para a venda, metendo-os num embrulho de metadiscurso, destinado menos a controlar o pensamento do que mostrar e a valorizar a sua própria importância ou a dele retirar diretamente benefícios fazendo-o circular nas inúmeras ocasiões que a idade do jacto e do colóquio oferece ao narcisismo do pesquisador." (p. 59)
BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. 4. ed. - Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
François Bédarida (1926-2001)
"Enfim, na medida em que toda busca da verdade está ligada a um corpus de valores, a interface entre história e ética, enquanto uma e outra permanecem separadas por uma linha de demarcação nítida, pode mostrar-se tão fecunda quanto necessária, contanto que seja enunciada claramente e inteligentemente articulada. Tanto mais que, quanto mais o objeto histórico responde por riscos fundamentais tais como a vida e a morte do homem, mais o diálogo parece necessário. Aliás, diante de semelhantes riscos, como poderia o discurso histórico, obeservando o rigor e a sobriedade de praxe, permanecer impessoal e gélido? Queira-se ou não, a história é, e deve continuar sendo, uma disciplina humanista." (p.151)
BOUTIER, Jean.; BOUTRY, Philippe.; JULIA, Dominique... Passados recompostos: campos e canteiros da história. Rio de Janeiro: Editora UFRJ: Editora da Fundação Getulio Vargas, 1998.
BOUTIER, Jean.; BOUTRY, Philippe.; JULIA, Dominique... Passados recompostos: campos e canteiros da história. Rio de Janeiro: Editora UFRJ: Editora da Fundação Getulio Vargas, 1998.
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