"O homem deste fim de século está preso no casulo invisível formado por todas das redes que lhe transmitem, à distância, imagens e ruídos do mundo. Embora as aparências sejam contrárias, ele está encerrado; ele acredita ver muito e cada vez mais. Ele apreende, sobretudo os seres, as coisas e acontecimentos por um conjunto complexo de mediações; ele tem menos acesso à realidade do que a uma telerrealidade, a um universo construído pelas mídia, onde se chocam e se embaraçam as imagens concorrentes (...) É preciso encontrar novas terapias capazes de tirar os homens do efeito das fascinações e reensinar a eles a governar as imagens e a não suportar que elas sirvam à captura de sua liberdade." (p.77/78)
BALANDIER, Georges. Poder em cena. Brasília:Universidade de Brasília, 1982.

