terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Marc Bloch (1886-1944)

"Alguns, estimando que os fatos mais próximos a nós são, por isso mesmo, rebeldes a qualquer estudo verdadeiramente sereno, desejavam simplesmente poupar à casta Clio contatos demasiado ardentes. Assim pensava, imagino, meu velho professor. Isto é, certamente, atribuir- nos um fraco domínio dos nervos. É também esquecer que, a partir do momento em que entram em jogo as ressonâncias sentimentais, o limite entre o atual e o inatual está longe de se ajustar necessariamente pela média matemática de um intervalo de tempo(...) Na verdade, quem, uma vez diante de sua mesa de trabalho, não tiver a força de poupar seu cérebro do vírus do momento será bem capaz de destilar suas toxinas até num comentário sobre a Ilíada ou a Ramayana." (p. 61/62)

BLOCH, Marc. Apologia da história ou o ofício de historiador. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2002.

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